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A
manhã estava ensolarada no dia da nossa partida da Cidade do
México, fato difícil naqueles últimos dias em que ficamos por
lá. Estávamos ansiosos, pois finalmente partiríamos em direção
às longas e perfeitas ondas do 'México Central'. Preparamos o
carro e algum tempo depois de encarar o confuso trânsito da
capital já estávamos na estrada. Até o nosso destino, La Ticla,
seriam quase mil quilômetros.
Nos primeiros quinhentos, não havia nada de especial para se ver
com relação à paisagem, mas a partir de Ciudad Altamirano, as
coisas se mudaram e o visual passou a ser de tirar o fôlego.
Primeiro na solitária estrada que cruza a serra até a costa do
Pacífico e em seguida no trecho de costa até La Ticla, onde há
muitos penhascos e de onde pode se ter uma visão deslubrante do
mar.
La Ticla é uma pequena vila de pescadores perdida no tempo que
fica no estado de Michoacan. Lá não há televisão nem telefone.
Durante os finais de semana à noite, todos os habitantes se
reúnem em uma pracinha central para colocar suas conversas em
dia, brincar, namorar e comer seus tacos, feitos ali mesmo.
Muitas donas de casa transferem suas cozinhas para a praça e
vendem comidas a preços bem populares. Esta pacata rotina só é
um pouco alterada pelos surfistas que vem atrás das ondas
perfeitas que rolam em toda a região nesta época do ano.
A natureza de La Ticla é exuberante. O lugar é um santuário de
tartarugas marinhas, que durante a noite deixam o mar e vem pôr
seus ovos na areia da praia. Pássaros de muitas espécies também
podem ser observados.
Mas a grande atração mesmo fica por conta das ondas. São
esquerdas e direitas que quebram sobre um fundo de pedras, onde
predominam as primeiras, principalmente com ondulação de sul,
quando formam-se linhas que impressionam pela perfeição. É uma
onda longa que segura ondulações de até 12 pés. Há também um
beach break, mas que não tem a mesma qualidade e que fecha
muito.
Durante os dias que ficamos por lá, estavam rolando ondas de 4 a
6 pés, nas quais fizemos a cabeça. É um ótimo lugar para
conhecer surfistas do mundo todo, principalmente os
"soul surfers" que vem para a
região há muitos anos e têm muita história pra contar. |